Durante o mês de junho gravei pelo Estúdio Livre do Coletivo Puraqué, de Santarém, 10 músicas do compositor santareno Chico Malta. É um repertório temático, formado por canções que falam das lendas amazônicas, como a Vitória-régia, o Tamba-tajá, a Boiúna e o Muiraquitã. O Chico, que canta e toca o violão nessas gravações, foi acompanhado por Helder Gama “Catacra” nas percussões, Milady France Eremita Feitosa, no backing vocal, e por mim no violão solo, flauta doce (nas faixas 7, 8 e 9), e baixo (na faixa 10). Ouça abaixo as músicas gravadas.
A publicação do álbum no YouTube cem com letras e cifras. Por sinal, a arte da capa de Luciana Leal foi feita especialmente para esta publicação em vídeo.
Pra conhecer mais sobre o Chico Malta, assista o vídeo a seguir, com uma entrevista gravada na orla da vila de Alter-de-chão, onde ele mora. O vídeo está dividido em duas partes.
A seguir está o songbook com partituras, letras e cifras de todas as músicas do disco. Aproveite. E viva Mestre Chico Malta!
Já está em atividade o Estúdio Livre do Coletivo Puraqué, do qual sou membro desde janeiro deste ano, quando me mudei para a cidade de Santarém (PA). A proposta do nosso Estúdio Livre é mapear e registar (em áudio, vídeo e partituras) os músicos e “griôs” locais (ou de fora, quando de passagem por aqui), principalmente os que não estejam nos esquemas tradicionais de gravação e divulgação.
O projeto estreou com o grupo Nossas Lembranças, do bairro do Maracanã, formado pelos senhores Joaquim Marinho (violino), Hermenegildo Nogueira Pires (violão), Arlindo Sousa dos Santos (afoxé) e Manuel Almeida dos Santos (atabaque). Ouça abaixo as músicas gravadas.
Para baixar as músicas em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip). Todas estão transcritas neste caderno de partituras disponível gratuitamente.
Nossas Lembranças - Caderno de Partituras (2010, Santarém, Pará). Livro com as 11 músicas gravadas pelo grupo, em abril de 2010, no estúdio do Coletivo Puraqué de Santarém.
E no vídeo a seguir você assiste as entrevistas com o pessoal do “Nossas Lembranças” e uma tocada da música “Mapinguari” (Raimundo Pimentel).
A nova sede do Puraqué, para onde nos mudamos há pouco mais de um mês, ainda está em obras, o que deve atrasar o início das próximas gravações (que será com o compositor Chico malta, de Alter-do-chão). A proposta é, assim que estivermos com tudo pronto, lançarmos um “pacote” com vídeo, áudios e partituras a cada quinzena. As imagens a seguir são da fachada da casa e do estúdio, que foram pintadas essa semana pelo grafiteiro José Sarmento.
Fachada do Coletivo Puraqué.Detalhe do Estúdio Livre do Colétivo Puraqué.
Este é o Programa Cena Musical – Especial com o Mestre Cardoso, de Ourém, exibido na TV Cultura do Pará em 23 de maio de 2009. Acompanhando o Mestre, estamos eu (na flauta), o Allan Carvalho (no banjo), e o Batalhão da Estrela, regido pelo Rafael Barros. Apresentação de Isidoro Calixto.
Curta logo abaixo o programa completo, dividido em seis partes.
Montei um novo blog. Nele trato da Feira Cultura Digital dos Bairros. Este é um projeto do Pontão de Cultura Digital do Tapajós que reunirá diversas iniciativas da cultura digital numa feira com oficinas, rodas de conversa, cineclubismo, apresentações musicais, prestações de serviços, jogos e muitas coisas mais.
Como membro da Casa Puraqué, que também está realizando a Feira (ao lado da Casa Brasil de Santarém, da UCLA, e do Projeto Saúde e Alegria), estou na organização do evento e com a possibilidade de registrar em áudio e vídeo as apresentações, e também produzindo material de divulgação, no final fiquei com coisas interessantes para postar lá.
Estas são imagens de alguns músicos que tocaram na Feira Cultura Digital dos Bairros, que aconteceu no bairro do Santarenzinho nos dias 7, 8, e 9 de abril.
07.04.2010 – Noite de abertura
Na noite de abertura tocaram o grupo Nossas Lembranças (do bairro do Maracanã) e os músicos Juvenal Imbiriba (da comunidade Amanim, no rio Arapiuns) e o Chico Malta (de Alter-do-chão).
Grupo Nossas LembrançasGrupo Nossas LembrançasGrupo Nossas LembrançasChico MaltaMagnólioJuvenal Imbiriba
08.04.2010 – Show de calouros
Milena Mota de Freitas (Foto de Lucivaldo Junior)Kleber Pagel, 2º lugar (Foto de Lucivaldo Junior)Rafaela Marquelane Coelho de Souza, 3º lugar (Foto de Lucivaldo Junior)
As interpretações vencedoras do Show de Calouros da Feira Cultura Digital, apresentado pelo Mestre de Cerimônia Magnólio, foram as de Milena Mota (Mente tão bem), Kleber Pagel (Estou apaixonado) e Rafaela Marquelane (Infiel)
09.04.2010 – Festival de Música
Os três primeiros lugares do Festival de Música da Feira Cultura Digital dos Bairros foram:
Hugo Herlon, com a música “Enquanto eu te espero” (62 pontos);
Hiller dos Santos Souza, com “Mina” (61 pontos) e
André de Souza, com “Viver pela fé” (59 pontos).
Assista à participação de Hiller dos Santos Souza, o segundo colocado, com a música “Mina”.
Além do Festival de Música, a noite de encerramento contou com diversos músicos e grupos, entre eles o trio formado por Quinhos Caetés, Daniel Luís e Ronaldo Eli, representando o Coco de Umbigada de Pernambuco.
Este vídeo é de uma participação que fiz no programa “7 Set Independente”, exibido pela TV Cultura do Pará, no dia 20 de março de 2010. A música que tô tocando é o Lundu – um tema de domínio público do folclore marajoara, e o software controlado pelo teclado é o Reaktor.
O programa é dirigido pelo Guaraci Júnior, e apresentado pela Carol.
E logo abaixo tem trechos das conversas que rolaram no programa, onde falo sobre o equipamento que tenho usado e de projetos atuais.
O Lundu Marajoara é um tema tradicionalíssimo tocado e dançado na Ilha do Marajó, no Pará. É uma música também bastante conhecida em outras áreas do Estado, muito devido aos grupos parafolclóricos que o carregam como um clássico no repertório. Eis uma transcrição minha do tema.
Já gravei e toquei esse tema incontáveis vezes, e vou deixar aqui algumas delas.
Vou por ordem cronológica.
O primeiro registro é de quando fui membro do Tanguru-pará, em 96 e 97. Tocávamo-lo em todas as apresentações, tanto como tema principal quanto como melodia incidental. Na gravação a seguir, feita ao vivo no projeto “Uma Quarta de Música”, do Centur, em junho de 1997, ela surge (em 1:48) como tema incidental no arranjo para duas flautas de “Mastro Bastião”, de Ronaldo Silva. O voz é de Allan Carvalho.
E eis o mesmo arranjo, tocado em junho de 98 numa apresentação do Trio Guapo (formado por mim, Allan Carvalho e Márcio Macêdo – todos também membros do Tanguru-pará), no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Aqui o Lundu entra em 1:35.
Em 1999 fiz minha primeira gravação em estúdio do Lundu, com um arranjo exageradamente eletrônico todo montado no Fruity Loops. Ela foi a quinta faixa do meu FGC Vol. 0. Ouça aí.
Em 2009, quando professor da disciplina “Arranjo e Improvisação” do curso de Licenciatura em Música da UEPA, no campus de Santarém, preparei com meus alunos um caderno de arranjos musicais que era acompanhado pelas gravações dos arranjos, interpretados pelos mesmos alunos (com exceção da flauta doce, sempre tocada por mim). O segundo arranjo do caderno foi do Lundu Marajoara, e o caderno pode ser baixado aqui 👇.
Outra gravação do Lundu apenas com sons eletrônicos fiz em 2010. Ela foi montada no Reaktor, e a coloquei num pretenso álbum meu que nunca finalizei chamado “singles“. Ouça aí.
Essa versão de 2010, por sinal, toquei numa participação, no mesmo ano, no programa 7 Set Independente, da TV Cultura do Pará. Veja!👇(e saiba mais dessa participação aqui).
Em fevereiro e março de 2018 produzi uma gravação do Lundu onde toquei duas flautas doces (soprano – a que toca a melodia original – e contralto), violão, e outra variedade de instrumentos virtuais. Mais uma vez, ouça aí!
O songbook com a transcrição do arranjo desta gravação(para flauta doce soprano, flauta doce contralto, guitarra e contrabaixo) está no site da Amazon.
Lundu Marajoara – Songbook (2018, Aracaju, Sergipe). Para flauta doce soprano e contralto, guitarra e contrabaixo. Com grade completa e partes cavas.
Por fim, em maio de 2020, com a pandemia de Covid-19 nos prendendo em casa, gravei, junto com quatro grande amigos, um arranjo meu do Lundu para flauta transversal, flauta doce contralto, violino e violoncello, acrescido de um violão e percussão. Cada um gravou na sua casa, em 4 diferentes cidades (Belém, Natal, Aracaju e Londrina). Os músicos foram os seguintes:
“Chico Tripa – Diário de um Palhaço” é um projeto do Cássio Tavernard contemplado este ano com uma Bolsa de Pesquisa e Criação do IAP. O resultado foi uma vídeo-performance apresentada neste 16 de dezembro na sala de dança do Instituto. O vídeo no final desta postagem foi projetado na apresentação pelo próprio Chico Tripa, interpretado pelo Cássio. Ele está dividido em duas partes, devido à limitação de tempo do YouTube, onde está hospedado. Além disto, algumas cenas foram editadas porque só faziam sentido na apresentação, principalmente nos momentos em que o ator interagia com as animações.
A Direção Musical é minha. Ouça logo abaixo as músicas que compus pro projeto. Pra baixá-las num único arquivo, clique aqui (arquivo zip).
Contamos com as participações especias do músico Delcley Machado, que tocou guitarra em “Maquiagem” e na cena do trem partindo; e da cantora Andréa Pinheiro com o Conjunto Galo Preto, que interpretam no final do filme “Luz negra“, de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso. A faixa faz parte do disco “Andréa Pinheiro & Galo Preto”, gravado em 2004.
Na cena de equilibrismo, a música é de Chico Marx, retirado do filme “At the circus”, feito pelos Irmão Marx em 1939. As músicas que tocam no início da segunda parte são “That’s Amore” de Dean Martin, e o tema do Circo de Charlie Chaplin. Veja o filme a seguir.
Este vídeo é uma execução do arranjo que fiz pro “Retumbão”, gravado no Vol. 5. A música foi toda feita no Reaktor, com samples da voz do Mauri, de um maracá de Mestre Cardoso, e etc.; além de intrumentos sintetizadores. O Reaktor é controlado através dum teclado Oxygen8; e a filmagem foi feita pela Luciana Leal. Veja aqui:
Aqui está meu quinto disco, um “falso 78 rpm” com as músicas Retumbão (um tema tradicional da Marujada de Bragança/PA) e “Vem cá, macaco”, gravadas nesses meses de outubro e novembro. O projeto gráfico é da Luciana Leal.
O Retumbão bragantino, a faixa 1, contém samples da voz do Mauri e do maracá de lata de Mestre Cardoso. É um tema que tenho tocado com constância desde quando era flautista do grupo parafolclórico Tanguru-Pará. A gravação abaixo, por exemplo, é de uma apresentação do grupo em 1997, no Teatro Margarida Schivasappa.
Além disso, gravei esse tema nos álbuns FGC Vol. 0, de 2000, e Doristi, de 2006. Neste último, com a melodia invertida. Ouça só:
“Vem cá, macaco”, a faixa 2, foi composta e gravada originalmente em 2007, pra abertura do curta de animação “A Onda”, dirigido por Cássio Tavernard.
Por fim, a quem interessar, o songbook de FGC, Vol. 5, com as melodias cifradas, está disponível no site da Amazon.
FGC, Vol. 5: Songbook (2009, Belém, Pará). Com melodias cifradas das faixas duas instrumentais.
Olha que história bacana eu soube hoje! Quase 60 anos depois de ir embora da casa dos pais sem despedir-se, Mestre Cardoso entra em contato novamente com seus familiares, e o contato surgiu depois que ele foi reconhecido pela Solange, neta de sua irmã, num post aqui do blog.
Segundo o meu amigo Arlindo Matos, de Ourém, “ela [a Solange] me disse que a avó falou de um problema que o Cardoso teve no ouvido quando criança. Ela identificou essa alteração na orelha dele através de fotos do teu blog (…) Essas senhas foram lhe dando a certeza que era ele mesmo”.
Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).
Quando ainda morava em Ourém, algumas vezes eu pedi pro Mestre me contar sua história, e principalmente, sobre a viagem que ele fez do Piauí pra cá (Clique aqui para ouvir um depoimento dele sobre isso). Ele falava também dos vários irmãos e da falta de informações sobre eles – sabia apenas que tinha familiares em Brasília, e quase nada mais. Pois no sábado passado, através do telefone do Arlindo, o Cardoso falou com sua irmã Joana e outros familiares que moram na Capital Federal.
Fiquei sabendo um pouco mais da história da família do Cardoso: Dos dez irmãos, seis já faleceram, sendo o Cardoso (com 76 anos) o único homem ainda vivo. Duas irmãs (Joana, de 96 anos; e Neide, 94) moram em Brasília; e outra irmã, Alice, a mais nova, na Argentina. E dando continuidade à brincadeira do boi na família, o Pedrinho, filho da Solange, tem lá em Brasília o seu boi também!
Pedrinho e o boi.
Há exatos 3 anos (em 9 de novembro de 2006), o Cardoso cantou pra mim uma música chamada “Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília”. Ele disse em uma entrevista no programa Sala de Reboco (que eu apresentava na Rádio Tembés de Ourém), que a música tratava duma carta que ele havia recebido de um irmão.
Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília
Eu recebi notícia / dum irmão meu de Brasília Há muito tempo / viajo com sua família
Ele mandou uma carta / não mandou fotografia Pra relembrar o passado / do tempo que nós se via