Aqui estão produtos do projeto “Design de superfície na Amazônia: referências visuais da iconografia arqueológica do oeste do Pará no desenvolvimento de estampas têxteis” da Luciana Leal, contemplado pela 13ª edição da Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP) – 2014.
O projeto foi idealizado com a intenção de pesquisar referências visuais em peças arqueológicas dos índios Tapajós, da região oeste do Pará, a fim de produzir estampas contínuas para aplicação em tecido. No dia 9 de dezembro rolou o vernissage da exposição no Instituto de Artes do Pará, em Belém, com 20 estampas impressas em tecido; quadros estampados; a publicação online de um catálogo com as estampas do projeto; relato de experiência da Luciana; bate-papo e uma tocada minha com controladores.
O vídeo a seguir é ilustrado com fotos e outras imagens produzidas no projeto, e o áudio dele foi o gravado na noite do vernissage.
O álbum abaixo é o registro em fotos da noite de abertura da exposição.
E a seguir tem a tocada minha que rolou após o bate-papo com a Luciana. A música é um arranjo pro Allemande do Solo para Flauta Transversal de Bach, programado e executado num Maschine; e foi feita pensando num desfile com peças de vestuário confeccionadas a partir dos tecidos da exposição.
Se quiser acompanhar o trabalho da Luciana, tem mais coisas no perfil dela no Flickr; e para mais informações sobre o projeto, o email pra contato é [email protected].
“Oswald Canibal” é a uma das faixa do álbum “Belém Incidental”, e foi uma parceria minha com Henry Burnett, que aqui canta e toca o violão. A gravação contou com a participação preciosa do Marcel Rocha na guitarra. Os arranjos, mixagem e demais instrumentos (todos virtuais) são meus, e a masterização do Renato Torres. A música ganhou um clipe, produzido pela Fóton Filmes, e que foi lançado em setembro, na abertura do 2° Festival de Audiovisual de Belém. Confira aí:
Eu e Henry – de olho nas gravações.Diretor executivo e diretor legislativo do projeto Oswald Canibal
O poeta Emir Bemerguy (Fordlândia, 1933 – Santarém, 2012), demostrou sua paixão por Santarém de muitas formas, e uma delas foi fazendo sistematicamente registros sonoros dos artistas locais. Emir gravou uma centena de fitas K7 ao longo das últimas 5 décadas, com diversos músicos e personalidades santarenas. É um material fantástico, de grande importância para os interessados na cultura amazônica, e na de Santarém em particular. Tive o prazer de ouvir uma parte dessas fitas, e, com a oportunidade de digitalizá-las, compartilho agora essas gravações aqui no blog.
As fitas têm registros do violonista Moacir Santos, do tocador de cavaco Laudelino Silva, do compositor e pianista Wilson Fonseca, do radialista Osmar Simões, do historiador Paulo Rodrigues dos Santos, entre muitos outros. Têm também leituras que o poeta fez da sua própria obra, entre poemas e crônicas, muitas delas transmitidas pelas rádios da cidade.
Uma serenata doméstica na casa de Braz Coimbra, com Emir ao violão (o terceira a partir da esquerda). (Foto do blog Saudade Perfumada)
Ressalto que muitas dessas gravações são caseiras e o clima é bastante informal. Na maioria da vezes, ele próprio apresenta os convidados, tece comentários sobre as músicas, e puxa a conversa adiante.
Selecionei para essa postagem 16 fitas do acervo sonoro do poeta. O primeiro K7 é com o violonista Moacir Santos, gravado em 15 de março de 1976.
Capa do K7 Moacir Santos
(Violão e conversa c/ Emir) – 15/03/1976
Na próxima fita, o Coral de Santarém, com 150 integrantes, se apresenta no programa radiofônico “Domingo Mobral”. Ao piano está o maestro Wilson Fonseca e na regência, Wilde Dias Fonseca. Apresentado por Emir Bemerguy, o evento abre com a crônica “Santarém: ontem, hoje, amanhã”, criticando o modelo de desenvolvimento das cidades brasileiras. Ouça aqui:
A seguir, uma apresentação do cantor Edenmar da Costa Machado “Machadinho“, acompanhado pelo cavaco de Laudelino Silva, numa edição do programa “Poemas e canções”, da rádio educadora, em 11 de fevereiro de 1968. Esta fita estava, infelizmente, bastante deteriorada, e mesmo com tratamento de áudio, o som continuou com muito chiado.
No final da década de 70 Laudelino Silva mudou-se para Belém, e Emir propôs gravar um bate-papo recheado de execuções instrumentais, a fim de registrar a partida do tocador de cavaquinho de Santarém (que neste dia tocava um bandolim). É a gravação que se ouve aqui, de 3 de agosto de 1979.
Capa do K7 Laudelino e Emir (3/8/1979). Regravação: 29/7/1994.
Em seguida temos uma reunião na casa de Emir, com Machadinho, Laudelino, e seus filhos Lúcio e Ércio, em 6 de julho 1988. O objetivo, segundo o anfitrião, era “passar alguns momentos tocando violão e bandolim, revivendo instantes preciosos e mágicos que se foram”.
Capa do K7 Machadinho, Laudelino, Emir, Emirzinho, Lúcio, Ércio (06/07/1988)
Nas próximas 3 fitas temos: o compositor Wilson Fonseca “Isoca”, ao piano, interpretando 22 das suas composições, numa tocada em 23 de outubro de 1994. Em seguida ouvimos 11 músicas ao som do órgão de Agostinho Fonseca, filho do maestro Isoca; e depois pai e filho tocam juntos.
Capa do K7 Isoca (Canções próprias) 1987. REG: 23/10/1994.
Agostinho Fonseca:
“Isoca” e “Tinho”:
A fita seguinte é uma coleção de faixas com a participação do radialista Osmar Simões (1918 – 1984), um dos fundadores da Rádio Rural de Santarém. São gravações diversas: entre elas temos uma transmissão radiofônica de uma apresentação do Coral de Santarém (faixas 1 a 3); uma entrevista com o historiador Paulo Rodrigues dos Santos, de 1968 (faixas 7 e 8); e a última crônica no rádio de Osmar Simões, de 4 de julho de 1984, sobre a inauguração da rádio rural de Santarém.
As próximas 7 fitas nos trazem a fala do próprio Emir Bemerguy.
Na primeira ele recita 13 dos seus poemas, numa gravação de julho de 1972. Os próximos dois K7 são de crônicas, lidas regularmente no microfone da rádio tropical de santarém (a primeira é de 1987; a segunda, de 1990). Depois temos mais duas fitas (a primeira de 72, a segunda de 76) com várias dezenas de poemas recitados. Como são muitos poemas, recomendo ler os títulos deles nas imagens escaneadas das “capinhas”, que estão sobre cada player. E em seguida temos mais duas fitas, gravadas com um depoimento que o poeta deu para o historiador Cristovam Sena, no ano de 1992 (a primeira parte foi feita em 25 de novembro daquele ano, e a segunda, em 17 de dezembro).
Capa do K7 Poemas Santarenos de Emir Bemerguy (8/7/1972)Capa do K7 Crônicas de Emir Bemerguy – 20/06/1987
Crônicas de Emir, vol. II:
Capa do K7 Meus poemas (I). (13/8/72)Capa do K7 Meus poemas (II) (29/2/76)
Depoimento de Emir para Cristóvão Sena, parte I:
Depoimento de Emir para Cristóvão Sena, parte II:
Vou finalizar a postagem com uma gravação de 1968. Nela, o Emir, ao lado do amigo Arnaldo de Freitas Braga, canta para este último três músicas: Extremo Consolo (Emir Bemerguy / Wilson Fonseca), Valentia e Volta (essas duas com letra e melodia de Emir). A fala final do Arnaldo sintetiza muito bem o sentimento que tive ao ter acesso ao acervo sonoro do Emir Bemerguy, e por isso a coloquei para fechar essa coleção. Ele agradece ao poeta pelo privilégio de gozar da sua amizade e pela sua sensibilidade. Essa mesma que o fez ver a importância desses registros para a posteridade (e ainda mais num país onde o descaso com a memória é um princípio), e aos quais o tempo vai conferir cada vez mais valor.
As duas músicas desta postagem foram compostas e gravadas para o evento. A faixa 1 é uma música do compositor Chico Malta, de Alter-do-chão, aqui cantada pela Cristina Caetano; e a faixa 2 foi composta e interpretada pelo Livaldo Sarmento. Os arranjos, instrumentos e gravação foram feitos por mim. Ouça aqui:
Você pode ver aqui e aqui vídeos sobre as duas primeiras etapas (Anumã e Surucuá) da Copa da Floresta. E pra ficar a par de outras notícias da Copa, acompanhe o blog da Rede Mocoronga.
No último dia 4 aconteceu uma recepção pros calouros indígenas da UFOPA, que terminou com um ritual realizado por eles mesmos na entrada do campus Tapajós. Os cantos que reuni nesta postagem foram gravados neste ritual.
A primeira faixa é um “cântico de agradecimento”, comum a várias etnias. A segunda faixa (Surara e Ixé iandepá makú) é um canto borari, puxado por Adenilson Borari “Poró”, do DAIN/UFOPA (Diretório Acadêmico Estudantil Indígena). A terceira faixa é um canto Wai wai puxado pelos alunos Nilson Newsinu Wai Wai e Radson Tiotio Wai Wai; e no final tem um canto Munduruku, por Jair Boro Munduruku. Ouçam aí o som desses novos estudantes:
Se quiser baixar as quatro faixas, clique aqui (arquivo Zip). E abaixo estão algumas imagens desse momento.
Esta é uma melodia que criei hoje, com a ideia de desenvolvê-la num arranjo maior, provavelmente eletrônico. A parte A é uma versão doristi de “Early one morning“, uma canção folclórica inglesa; a segunda parte foi composta mais livremente, mas também em doristi. E o desenho pintado é só uma caboquice que fiz no Gimp.
Este vídeo é um improviso com as bases sonoras que construí no Maschine para a gravação do “Hino ao sol”, uma das faixas de meu próximo disco, o “FGC Vol. 666”. É uma melodia indígena do Peru, e a conheci transcrita no livro “Apuntes de acustica y escalas exoticas”, de Blanca Cattoi. Apesar de ter acrescentado uma letra pro hino, aqui toco apenas as partes instrumentais. Na verdade ele é um mais um improviso mesmo, feito principalmente com a combinação das camadas instrumentais e aplicação de efeitos. Confira aí:
E aqui a partitura do “Himno al Sol”, como está no livro de Cattoi.
Extraído do livro “Apuntes de acustica y escalas exoticas”, de Blanca Cattoi
Essas gravações foram feitas durante o I Festival de Música da UFOPA, que aconteceu dia primeiro de novembro, no campus Rondon. Foram gravadas do meio do público, e estão, portanto, cheias dos ruídos do ambiente. Ouçam aí:
O primeiro lugar ficou com “Dançar juntos” (faixa 10), composta e interpretada por Clarice Senna, e que, indiscutivelmente, arrebatou a plateia – foi de longe a música mais aplaudida, por exemplo. O segundo e terceiro lugares ficaram, respectivamente, com “Sindicato Clandestino” (faixa 4), da banda de metal Iron Jaraki, e o samba “Meu menino” (faixa 1), do grupo Receita de Samba.
Clarice Senna (foto de Luiz Mota)Iron Jaraki (foto por Luiz Mota)Receita de Samba (foto por Luiz Mota)
Se quiser baixar todas as músicas, clique aqui (arquivo Zip). E esta é a ficha técnica completa das músicas apresentadas:
Meu menino (Marcelle Almeida) – Grupo Receita de Samba. Voz: Marcelle Almeida, Violão 7 cordas: Fabrício Sombra, Cavaco: Luíz Acácio, Sax soprano: Isonilson Rocha, Trompete: Willhison Sousa, Trombone: Divaldo Filho, Percussões: Erison Fonseca, Everson Cesar e Tadeu Xavier.
Amores modernos (Celso Lima) – Banda Na hora. Voz e violão: Celso Lima, Baixo: Rui Vila-boas, Bandolim: Raul Silva.
Glamours girls (Felipe Manoel / Clóvis Rodrigues) – Ravenc. Voz e violão: Felipe Manoel.
Sindicato clandestino (Majd Aboul) – Iron Jaraki. Bob Gringer: Vocal, Majd Aboul: Guitarra, Bateria: Rick Cisco, Nicolas Kolesne: Baixo.
Um amor de verdade (Ana Correa). Voz: Ana Correa, Guitarra: Carlos Melo e Diego, Bateria: Derlon Nogueira, Baixo: Gabriel Baena.
Far away (Vítor Ferreira / Ilcinara Jordana) – Banda Darth Verde. Voz e violão: Ilcinara Jordana, Guitarra: Vítor Ferreira, Baixo: Flávia Rodrigues, Bateria: Derlon Nogueira.
A tua estrela (Paulo Victor Maranhão). Voz: Márcia Maranhão, Violão: Paulo Maranhão, Percussão: Rafael, Baixo: Neves, Flauta: Sara.
A verdade (Rafael Siqueira). Voz: Rafael Siqueira, Teclados: João Paulo Rodrigues.
O outro lado da vida (Rômulo Lima). Violão e voz: Rômulo Lima.
Criei no Kontakt um instrumento virtual com samples de um pandeiro que gravei. Além do monte de amostras sonoras do pandeiro, adicionei vários efeitos que podem ser ativados, desativados e/ou direcionados só para algumas notas. Minha intenção agora é usá-lo nas próximas gravações (a curto prazo, no meu “Retumbão dos infernos”, que já comecei a gravar, e sobre o qual tratei aqui).
Fiz este improviso a seguir como um exercício rápido para testar os recursos do pandeiro.
Aí embaixo estão duas imagens do instrumento no kontakt.
“Performance view”“Kontakt Script” e “Editor de mapeamento”
Esta é uma gravação bootleg que fiz de uma apresentação do violonista Sebastião Tapajós, durante a abertura do VI Simpósio Brasil-Alemanha, no hotel Barrudada, Santarém, no último 29. Ele foi acompanhado por Sérgio Abalos, no violão; Anderson Dourado, nos teclados; Dhionny Vianna, no contrabaixo, e Adriano Dourado na bateria. Esta gravação, infelizmente, não está completa, e o show teve no repertório, principalmente, as músicas do novo CD do Sebastião – chamado “Aos da guitarrada”, homenageando a guitarrada do Pará.