Benedito Gama de Miranda é o nome de Mestre Piticaia. Nascido na comunidade do “Atola” (“pras bandas do rio Abaí”), e criado em Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, onde mora até hoje, Piticaia tem 73 anos de idade, e coloca boi há 42.
As 11 toadas a seguir foram gravadas pelo meu amigo Allan Carvalho, que esteve em Cachoeira durante o “Cordão do Galo”, projeto do Instituto Arraial do Pavulagem. O Mestre canta acompanhado por uma caixa quadrada, típica do marajó, tocada por ele mesmo.
O vídeo abaixo (gravado pelo Lucas Santana, do grupo Sancari) é do mesmo momento da gravação do áudio, com o Mestre Piticaia levando as toadas “Serena” e “Correio”.
Juvenal Imbiriba nasceu na comunidade de São Pedro, no rio Arapiuns, em 1961. Hoje mora em Aminam, na mesma região. Compõe e toca violão desde jovem, e o ritmo que mais o agrada é o carimbó. Eu o conheci em 2010, quando participei da organização da Feira Cultura Digital dos Bairros, aqui em Santarém; onde ele tocou na noite de abertura (para saber sobre esse noite, clique aqui). E a ideia deste disco surgiu a partir de conversas com meu amigo Eduardo Nogueira, formando do curso de música da UEPA, que fez o TCC baseado nos carimbós dele.
Este é o disco “Carimbó do Arapiuns” resultante daquelas conversas, com 13 músicas de Juvenal. Ele está acompanhado pelo percussionista Helder Gama “Catraca”, e por mim nos arranjos e solos (flauta, violão e samples de sax). Todas as composição são do próprio Imbiriba, e ele toca o violão base também.
O álbum também está no YouTube, com letras e cifras de bônus.
Esta é uma coleção com 8 toadas de Mestre Faustino, amo do boi Pai-do-campo, de Ourém, que gravei no dia 14 de setembro de 2010. Foram feitas no mesmo dia que as toadas com Cardoso (publicadas na postagem anterior) quando estive em Ourém pra reunir material pro meu disco “Do meio do Século XX para o XXI“. Participaram o próprio Faustino (caixa e voz), Tan-tan (onça e coro) e Dona Paulina (esposa de Faustino, no caxixi e coro).
E aqui vai uma historinha por trás de “Tava dormindo e sonhando”, a faixa 6 do player acima: A primeira vez que ouvi Faustino cantando essa toada foi em 2003. A letra era a mesma, mas a melodia era diferente. Achei ela linda e pedi pra ele cantar a capella, pra eu gravar. É a faixa 9.
Em 2005 eu mesmo a gravei, no meu “FGC Vol. 3”.
Depois disso, o Faustino me procurou preocupado, dizendo que queria gravá-la também, porque a melodia que cantei (e que ele havia cantado naquele 2003) não era a “correta”, “tradicional” do seu Boi. Ele havia misturado a melodia de outra música na letra de “Tava dormindo e sonhando”. Então pronto! – Essa é uma das toadas mais usuais do Pai-do-campo, e o canto “original”, entoado nas ruas e terreiros de Ourém, é esse que está aqui agora.
O álbum abaixo são com imagens dessa gravação, feita na casa de Arlindo Matos, em Ourém.
Esta postagem é uma homenagem ao Mestre Cardoso, amo do Ouro Fino de Ourém, que faleceu esse mês, dia 20, em decorrência de um câncer que o debilitou lentamente desde maio, deixando-o com grande dificuldade para andar e cantar nas últimas semanas. São entrevistas e algumas músicas ainda inéditas, um tanto antigas, mas que finalmente edito e posto aqui na internet. É um material que acredito ser delicioso, principalmente pra quem conhece o Cardoso e está a fim de saber mais dele, já que ele fala bastante sobre a sua vida e sua arte: as toadas, o auto do boi, matanças, levantações, seus métodos de compor…
Essa primeira sequência é com 4 músicas que gravei no dia 14 de setembro de 2010, em Ourém, quando lá estive para reunir material pro meu disco mais recente. O tambor e o maracá foram tocados pelo próprio Cardoso. A faixa 3, “Que alegria!”, trata de um acontecimento que ainda estava “quente” na época – o reencontro do Mestre com seus familiares, quase 60 anos depois de sair da sua terra natal (essa história está contada aqui).
O Arlindo Matos, na casa de quem foram feitas essas gravações, registrou em vídeo o momento que o Cardoso canta “Avião Francês”, a toada que trata, assim como tantas outras do Mestre, de uma notícia “internacional”: a tragédia com o Airbus A330 da Air France, que havia caído no Atlântico no ano anterior. É o video editado pelo Arlindo que eu coloco aqui:
As entrevistas a seguir (exceto a da primeira faixa) foram todas feitas no programa “Sala de Reboco”, que apresentei entre 2004 e 2006, na rádio Tembés FM, em Ourém. Muitas vezes o Cardoso fala das músicas que iam ser apresentadas no dia da entrevista, mas os assuntos são os mais variados. Na segunda faixa (o Dominó) ele explica um jogo fantástico no uso da memória e da criatividade, que era praticado entre os amos de boi do seu Piauí – o Dominó, onde as peças eram substituídas por toadas rimadas, que eram postas no terreiro ao invés de postas na mesa. Na terceira faixa (A vinda para o Pará), ele conta o caminho que fez, boa parte a pé, quando saiu de Parnaíba, aos 20 anos, até chegar em Ourém, em 1993. A primeira foi feita em casa em dezembro de 2003, pouco depois de conhecê-lo. Cardoso fala sobre seu início na arte do boi, sua saída de Piauí, o costume de tirar licença para a brincadeira, o boi em Ourém, os personagens do auto, as dificuldades e o amor pela arte do boi-bumbá. Bem, os temas são diversos mesmo. Confira a seguir:
Reuni no álbum abaixo as fotos que tirei do Mestre ao longo desses anos. A mais antiga é da sua participação na FEMPO, a Feira de Música e Poesia de Ourém, em 2005. As mais recentes são do show que fizemos juntos em 2011, em Belém, no lançamento do meu disco “Do meio do século XX para o XXI”, todo com composições do Mestre. No caminho, as brincadeiras nas ruas de Ourém, nas rádios, no Teatro da Paz e nos arrastões.
Quem quiser ouvir a obra do Cardoso pode acessar esta página no site da FGC Producões. Lá estão disponíveis, para ouvir e baixar, mais de 120 músicas, além de outros vídeos e imagens. Aqui mesmo, no Blog FGC, publiquei diversas postagens sobre ele (com esta são 12). Elas estão reunidas aqui.
A convite da Prof. Carla Ramos, que coordena o projeto “Mapeamento das Casas e Terreiros de Religiões de Matriz Afro-brasileira na cidade de Santarém/Pará”, da UFOPA, fui à praia de Ponta de Pedras (Santarém/PA) na noite de 10 de novembro de 2012, durante uma festa em homenagem à Cabocla Mariana, que reuniu diversas casas de religiões afro-brasileiras de Santarém. Deixo aqui disponíveis alguns dos batuques que tive o prazer de ouvir e gravar por lá.
O Gambá é celebrado na vila de Pinhel (município de Aveiro/PA) nos últimos dias do mês de junho, em homenagem a São Benedito. O termo “Gambá” significa tanto a dança, quanto o ritmo, a festa e o principal instrumento usado na festividade – o tambor de tronco oco. Além dos tambores, as toadas do Gambá de Aveiro são acompanhadas por tocadores de caixa, reco-reco e ganzá.
Os 25 gambás desta postagem foram gravados em 29 de julho de 2007, no projeto do selo “Matrizes Ancestrais”, do Instituto de Artes do Pará (IAP), coordenado por Walter Freitas e Walter Figueredo, e que buscava mapear e registrar as festividades tradicionais paraenses. Além das folias, na última faixa dessa coleção você ouve uma ladainha com os moradores de Pinhel, que também tive a oportunidade de gravar. A ladainha, é importante dizer, também é parte integrante desta festividade. Os músicos são: Teodoro da Silva (tambor), Edgar Carvalho (tambor), Reimar Carvalho (tambor), Belinho Deodato (reco-reco), Tiago Deodato (mestre cantor e caixa), Altino dos Santos (mestre cantor e caixa) e Maciel Xavier Cardoso (mestre cantor e caixa).
Essas gravações foram lançadas em CD pelo IAP, em abril de 2008.
A nova trilha sonora que fiz pro programa “Catalendas” (criação do In Bust Teatro com Bonecos, dirigida por Roger Paes e produzido pela TV Cultura do Pará), e que esse ano voltará com episódios inéditos, está disponível na internet neste álbum que preparei junto com a trilha anterior, de 2002.
A arte da capa é da Luciana Leal. As imagens a seguir são do processo de feitura dela.
Arte de Luciana LealCapa
O “Catalendas” têm um canal no YouTube com diversos programas disponíveis, além de entrevistas. É o local perfeito pra conhecê-lo ou revê-lo. Visite-o aqui.
O vídeo a seguir é da abertura da temporada 2012.
O songbook da trilha contém as transcrições das 24 gravações originais. São diversas formações, de solos instrumentais (como “Festa no interior II”, para sax alto, e “Primeira dança negra”, para sax soprano) ao quinteto de sopros e cordas em “Lendas”. O livro tá disponível na Amazon e na SheetMusicPlus.
Catalendas [Trilha Sonora Original] – Songbook (2013, Santarém, Pará). Trilha Sonora do programa infantil produzido pela TV Cultura do Pará. Transcrição dos arranjos de 24 músicas para formações diversas.
Segue uma amostra com duas partituras e suas respectivas gravações – “Festa no interior II”, e “Terceira dança do índio”.
Pra esta mesma “Terceira dança do índio” (aí de cima) eu fiz uma regravação recente com teclado e flauta doce contralto, postada no vídeo aí de baixo.
E no embalo da feitura do songbook, preparei também este “songvideo” pra trilha do Catalendas. Estão nele as 24 faixas do álbum, e com um bônus: correm juntas as cifras e as partituras das melodias principais. É também o primeiro álbum completo que disponibilizo no YouTube, que (sem querer!) deixei bem atrasado em relação às outras plataformas (vou tentar tirar esse atraso o mais breve possível!). Veja, ouça, curta e toque junto com o resultado:
Gravado entre agosto de 2010 e junho de 2011, em Ourém e Santarém/PA, este álbum é resultado de um Edital Prêmio SECULT de Música, e todas as músicas dele são de autoria de José Ribamar Cardoso (Mestre Cardoso), amo do Boi Ouro Fino de Ourém. Cardoso também participações especiais nas faixas 1, 4 (voz), na faixas 10 (percussão), e na faixa 11 (percussão e voz).
Projeto Gráfico e fotos são de Luciana Leal, e as fotos usadas são reproduções de peças arqueológicas, em cerâmica, da coleção do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú, de Santarém. Nesta outra postagem estão outras propostas (7!) que a Luciana pra capa do disco.
A seguir estão os vídeos da apresentação feita no lançamento do álbum, em 1° de outubro de 2011, no Centro Cultural SESC Boulevard, em Belém. Contei com as participações especialíssimas do Allan Carvalho (voz e violão em “Soldado americano” e “O mundo é moderno”), do Felix Faccon (banjo e voz em “Mandei fazer um balão”), e do Mestre Cardoso. A filmagem foi feita pelo André Mardock e pelo Elrick Lima, a captação do áudio pelo Fabrício Rocha. A edição é minha.
Se quiser somente o áudio dessa apresentação, ouça-o no player abaixo. Para baixá-lo, clique aqui.
Morando em Santarém, a quase 800 km de Belém, consegui fazer essa apresentação em parte graças ao apoio que tive do selo Ná music (do produtor Ná Figueredo), do Sesc Boulevard, e dos amigos Arlindo Matos (de Ourém, presidente da Fundação Funcartemm), Marco Campelo, André Mardock, e da minha esposa Luciana Leal.
As imagens no álbum a seguir (também do André Mardock e Elrick Lima) são desta noite.
O “Movimento de Roda de Curimbó” é um grupo de pau-e-corda da vila de Alter-do-chão (Santarém, PA), formado pelos músicos Chico Malta, Helder Catraca, Jackson Rêgo, “Seu” Camargo, Hermes e Osmarino Freitas. As 10 músicas deste disco foram gravadas ao longo do ano de 2011 e lançadas em janeiro de 2012. Contei com as participações especiais de Dona Onete (cantando na faixa 1, e autora das faixas 1 e 11), Cristina Caetano (cantando na faixa 11), Pio Lobato (banjo na faixa 1), dos saxofonistas Junior Castro (faixas 4, 6 e 10) e Serginho (faixas 1 e 2), do trombonista Eri (faixa 3), e do baixista Dórisson (faixa 3). Os arranjos, gravação e mixagem são meus. Também toquei a flauta doce nas faixas 5 e 9, e uma flauta transversal de bambu na faixa 8.
O álbum de fotos a seguir mostra as sessões de gravação, todas na casa do Jackson (“Cabana do Tapajós”), percussionista e integrante do grupo.
Chico MaltaChico Malta no violãoHelder CatracaHermes cantando e Chico ao violãoJacksonDa esq. para dir. – Osmarino, Chico Malta, Hermes, Jackson, Fábio e Hélder.OsmarinoChico MaltaFábio CavalcanteDia 2 de gravaçõesTambor do grupoIntervalo pro lanche, com “parabéns” pelo aniversário do Osmarino.OsmarinoJacksonDórissomCabana do Tapajós, onde foram feitas as gravações do Movimento de Roda de CurimbóCamargo – ‘Dun dun Jacotingulê’Dia 3 de gravaçõesCris CaetanoFábio CavalcanteHelder CatracaHermes – ‘Marambiré’SérgioChico Malta
A ficha técnica completa do disco é a seguinte:
Chamego de boto (Dona Onete). Chico Malta (violão e voz), Pio Lobato (banjo), Sérgio (sax), Helder Catraca (tambores, maracas e pauzinhos), Jackson (coquinho). Coro por Chico Malta, Osmarino, Hermes, Helder e Jackson.
Venha pro movimento (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Sérgio (sax), Helder Catraca (tambores e pauzinhos), Jackson (maracas). Coro por Osmarino, Hermes, Helder e Jackson
Se eu soubesse que tu vinhas (Chico Malta e Mestre Servito). Chico Malta (violão e voz), Eri (trombone), Dórisson (contrabaixo), Helder Catraca (tambores, conchas e chaves), Jackson (maracas).
Curimbó (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Júnior Castro (sax), Helder Catraca: (tambores e pauzinhos), Jackson (coquinho), Hermes (maracas). Coro por Hermes, Jackson, Helder e Osmarino.
Índio Cumaruara (Osmarino Freitas). Osmarino (voz), Chico Malta (violão), Fábio Cavalcante (flauta doce e samples de sax), Helder Catraca (tambores), Jackson (maracas e coquinho).
Marambiré (Luciano Lopes dos Santos / Dona Teté / Dori). Hermes (voz e maracas), Chico Malta (voz e violão), Junior Castro (sax), Helder Catraca (tambores e coquinho). Coro por Jackson e Helder.
Meu boi (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Fábio Cavalcante (sample de sax), Helder Catraca (tambor, bilha e pauzinhos), Jackson (pandeiro, maracas).
Carimbó na roça (Osmarino Freitas). Osmarino (voz), Fábio Cavalcante (flauta transversal de bambu), Helder Catraca (tambores, maracas e pauzinhos). Coro por Hermes e Helder.
Dundun / Saracura (D.P. / “Seu” Camargo). “Seu” Camargo (voz), Chico Malta (violão), Fábio Cavalcante (flauta doce), Helder Catraca (tambores), Jackson (maracas e coquinho).
Paixão cabocla (Dona Onete). Cristina Caetano (voz), Chico Malta (voz e violão), Junior Castro (sax), Helder Catraca (tambores e pauzinhos), Jackson (maracas e coquinho).
Todos os arranjos, gravação e mixagem por Fábio Cavalcante.
Para conhecer mais sobre mestre Chico Malta, visite a página dele no sítio FGC Produções.
Aproveitando que hoje é Dia de Reis, compartilho aqui duas gravações de folias de reis que fiz com o sanfoneiro João Cego, de Ourém, em janeiro de 2004, prum especial no programa Sala de Reboco, da rádio Tembés FM, onde eu o era apresentador. Ouça aí “Pam, pam, pam, bateu na porta”.
Essa outra gravação, “Somos cantador de reis”, foi pro mesmo especial; e também versa sobre a folia de reis.