Esse livreto que estou disponibilizando aqui no blog, em formato pdf, foi feito para os Arrastões de Junho do Arraial do Pavulagem. Ele traz 15 canções que foram ensaiadas e cantadas pelo Batalhão da Estrela nas ruas da Capital. Além disso, vem com uma ficha técnica bem detalhada do evento. A transcrição das partituras foi feita por mim, e o projeto gráfico é de Éder Oliveira e Natany Rodrigues.
Arrastão do Pavulagem: Cantação de rua (2008, Belém, Pará). Transcrição das músicas tocadas e cantadas pelo boi Pavulagem, no ano de 2008, durante os tradicionais arrastões de rua realizados no período junino.
O mateiral teve farta distribuição gratuita durante o período dos arrastões, mas acredito que já não se consegue mais um exemplar tão facilmente. Por isso, e por achar que contém partituras de amplo interesse, coloco ele aqui (arquivo pdf).
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4 respostas a ““Cantação de rua” dos Arrastões do Pavulagem (2008)”
Lupu
Só pra acrescentar: foi impresso em papel 100% reciclado. A cor das páginas não foi “falha” de digitalização ou mesmo um café com leite derramado sobre o material…rs. Quem for imprimir deve ter cuidado com a escolha do papel. Se for fazer a impressão em papel reciclado também, pode ficar um pouquinho escuro.
E uma outra dica: O “Cantação de rua”está em um pdf de quase 30 megas. Se você clicar nele, provavelmente o navegador vai abrí-lo, e isso vai demorar um bom bocado. Recomendo fazer o download e depois abrir o arquivo diretamente da máquina. É só seguir a recomendação de download que tem aqui no blog: – clique com o botão direito sobre o link e selecione “salvar destino como…” ou “salvar link como…”.
Oi Roseane. Não parei de vez, não. Infelizmente fiquei ocupadíssimo esse último mês e não tive tempo pra postar nada aqui no blog. Mas tô com materiais novos, e teu comentário me deu um novo ânimo! Vou me virar aqui e encontrar um tempo pra colocar essas coisas novas o mais rápido possível. Valeu. Um grande abraço!
Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco “Galo de campina” (2005).
Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música “Não sou Norte-americano” no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação.
Ouça e curta o som do Mestre. E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.
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Uma resposta para “Cardoso canta as toadas do boi Ouro Fino para 2008”
Anonymous
Hi everyone! I do not know where to start but hope this site will be useful for me. In first steps it’s very nice if somebody supports you, so hope to meet friendly and helpful people here. Let me know if I can help you. Thanks and good luck everyone! 😉
No dia 26 de julho, Mestre Cardoso esteve na final do XXV Festival da Canção Ouremense, com a toada “Não sou norte-americano”, composta originalmente para ser cantada nas brincadeiras do boi Ouro Fino.
Ganhou o primeiro lugar na categoria “Músicas de Ourém”. Ele foi acompanhado por Allan Carvalho (banjo e voz), Elaine Borges e “Ina” (Coro), Fábio Cavalcante (flauta e arranjo), e nas percussões, por André “Mixico”, Bruno, Natalino “Caratinga” e Rafael Barros.
O video foi filmado por Arlindo Matos, que, além de ter incentivado Mestre Cardoso na inscrição, deu o título da música.
Confira a letra desta toada de Mestre Cardoso:
Não Sou Norte-Americano (Mestre Cardoso)
Minha mãe, mamãe eu vou Amanhã para o Iraque Meu filho tenha cuidado Não vá passear de táxi Que os jornais de Bagdá Anunciam os ataques
Minha mãe, quero benção Me diga adeus, que eu já vou Meu filho tenha cuidado Siga com nosso Senhor Mataram Saddam Hussein E a guerra continuou
Minha mãe quero benção Quero ouvir as vozes suas Meu filho tenha cuidado Não vacile pelas ruas Mataram Saddam Hussein E a guerra continua
Minha mãe, quero benção Não sei se eu volto este ano Meu filho tenha cuidado Pra depois não ter engano Comparar um brasileiro Com um soldado americano
Eu cantei essa toada Aqui para o pessoal Porque eu tenho memória E tenho meu ideal Compositei em toada Conforme passa o jornal
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7 respostas a “Mestre Cardoso no XXV Festival da Canção Ouremense”
Ao menos no mês de julho as rádios da capital deveriam esquecer um pouco os jabás de mentalidade e valorizar mais a nossa música.. vamos sonhando.. Parabéns!
Valeu pelos comentários de todos. Mestre Cardoso é merecedor do prêmio – é um compositor de mão cheia. Postarei esses dias ainda 8 toadas novas (desse ano) que gravei com o Mestre nessas férias. São da pesada! Vou avisá-los quando estiverem publicadas.
Gostei muito, Fábio! Aliás, tem sido assim com as outras composições que vc tem disponibilizado aqui. Que beleza de trabalho o seu e que grande criador é o Mestre Cardoso! Parabéns aos dois! Beijos (da ouremense-baiana), Cláudia Cunha
Na última sexta (6 de junho), no Teatro do Centur, aconteceu o show “Verequete Chama”, em benefício de Mestre Verequete, que estava internado há vários dias devido a uma pneumonia. A noite contou com a participação dos artistas Paulinho Mururé, Eduardo Dias e Alcyr Guimarães, dos grupos Mandinga da Amazônia, Sabor Marajoara, Sancari e Uirapuru; além da bateria da escola de samba Embaixada da Pedreira, que em 2003 venceu concurso da Prefeitura de Belém, tocando na avenida um samba criado em homenagem ao compositor.
Confira abaixo os momentos do show que ficaram por conta do carimbó pau e corda dos grupos Sancari (nas três primeiras faixas) e Uirapuru (faixas 4, 5 e 6) – este último formado em 1971, e que foi o grupo que acompanhou Verequete ao longo de sua carreira. O encerramento é ao som da bateria da escola da Pedreira.
Parabens Fabio. Seu site ta muito legal e suas iniciativas mais ainda. Sou de BH/MG e gosto muito de musica do norte, especialmente do Para. Ja conhecia o Pio Lobato e fico mais satisfeito agora sabendo que tem mais gente bacana atuando por ai. Se der, passe no blog do meu projeto de divulgaçao cientifica: http://www.igc.ufmg.br/cantacantos. Nao esta tinindo ainda mas prometo deixar ele tao bom quanto o seu muito em breve! []s Lucas Mello.
Dia 17 de maio de 2008 estive na Escola Estadual D. Helena Guilhon, no Satélite, convidado pelo Erivelton Araújo, pra gravar a batucada do Boi Orube, formada por crianças e adolescentes. O boi Orube é um projeto criado por moradores do bairro, interessados em montar um boi-bumbá para a quadra junina deste ano.
Eles contaram com o apoio (entre outros) do Instituto Arraial do Pavulagem, que doou um boi e emprestou brinquedos; da Fundação Curro Velho, que ofereceu as oficinas de Canto (com Luizinho Lins), Percussão (Rafael Barros) e dança (Bruna); do Centro Comunitário Satélite, cedendo o espaço para as oficinas; e da Verde Móveis, que doou madeiras para a oficina de construção de instrumentos, com Mestre Ray, de Icoaraci, onde foram confeccionadas barricas, maracás, matracas, ganzás e recos.
O repertório do boi Orube (que em Tupi, significa “aquele que contagia, que traz alegria”) têm diversas toadas dos Mestres Cardoso (faixas 1, 2, 3 e 6) e Faustino (faixas 4 e 5), de Ourém. Os Mestre ouremenses já tiveram suas toadas tocadas em vários arrastões do Pavulagem (confira aqui e aqui), e é com grande prazer que eu vejo as suas criações conquistando espaço fora do município de Ourém. As músicas desses amos, cantadas pelos integrantes do Boi Orube, foram registradas originalmente nos três discos que lancei com eles em 2005 e 2006 (Galo de Campina, e Bois de Ourém Vol. 1 e 2).
Ouça as gravações do Boi Orube nos links abaixo. E baixe todas as músicas em um único arquivo clicando aqui (arquivo zip).
E assista aqui no Youtube um vídeo feito durante a gravação.
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Uma resposta para “Boi Orube, do Satélite (Belém – PA).”
Jerusa
Belo material! É lindo ver os pequenos se interessando pela cultura popular da nossa terra !
Nos dias 24, 25 e 26 de novembro de 2003 fui, acompanhado da Lila e dos meus amigos Arlindo Matos e Marcilene (de Ourém), à aldeia Frasqueira, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará.
A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência, e não era realizada há vários anos. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê – dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira.
Aqui estão quatro momentos dos Tembé cantando o Caê-Caê.
Para baixar as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).
E logo abaixo, algumas fotos tiradas durante a festa.
Dança do Caê caê Crianças Tembé Pintando o corpoGuaribas e mutuns moqueados
As pinturas corporais são feitas com óleo de jenipapo, e ficam marcadas no corpo por aproximadamente duas semanas. Não adiante esfregar – não sai. Essas pinturas representam animais como o macaco, a onça e a cobra.
As guaribas e os mutuns ficam vários dias sendo moqueados. Quando estão bem secos, são então pilados e viram uma farinha. Dessa farinha é feito um bolo, que, segundo os costumes do povo Tembé, apenas os adultos podem comer. Então, as moças para as quais a festa está sendo feita, comem o bolo pela primeira vez.
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Uma resposta para “Caê Caê na Aldeia Tembé – Festa das Moças 2003”
Anonymous
Sobre a foto 3 (Pintando o corpo)…praticamente um “massai branco”! rsrsr.
Os áudios desse post foram gravados no dia 21 de abril de 2007 quando visitei, com minha amiga Laurenir Peniche, o terreiro de tambor de mina de Pai Brasil, no bairro Jardim Sideral, em Belém do Pará, durante uma festa em homenagem a Ogum.
Se quiser, baixe todas as músicas em um único arquivo aqui (arquivo zip).
Preparei também o vídeo abaixo com imagens dessa visita ao terreiro. Repare na galera cantando parabéns a Ogum no final.
Por fim, eis o álbum de fotos da festa:
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22 respostas a “Festa a Ogum no Terreiro de Tambor de Mina de Pai Brasil”
Anonymous
Fábio!…
Achei muito bacana esses áudios. Mas, aqui na NET não baixa nada. Recordo apenas do som que escutei aí… Quando clico aqui aparce isso:
ERROR The requested URL could not be retrieved
Dá logo um jeito! Quero ter isso!… Ah, põe o Arajuba Tb.
Os links estão todos direitos. Fizeste como tá indicado lá em cima? – Para baixar músicas, clique com o botão direito sobre o link e selecione “salvar destino como…” ou “salvar link como…”.
Vê também se não é o servidor de onde estás acessando que impede o download de arquivos de áudio ou acima de um determinado tamanho. Alguns lugares, principalmente em locais de trabalho, colocam limitações desse tipo.
okolofé a todos, esta muito bom, gostaria de ouvi mais canto de mina, pois eu adorei e aprovei, apesar que eu sou da naçao ketu aqui de manaus. sou alagbé do Ilé Asé T´ogun Onijá
okolofé fabio, gostaria que voce em caricidamente me dece as cantigas copiada as ?_4*_pout-porri de cantigos e a _2*_ogum desde ja agradeço a sua compreensao espero retorno
Estou muito feliz de estarem divulgando minha religião que é pouco conhecida no Brasil. Coloque mais áudios do tambor de mina, sobre os encantados, de légua, turcos, mineiros e etc… Ficaremos muito gratos. Que Toy Liça abençoe todos!
Amigo ashé! Fico feliz em vc ter divulgado minha casa, dia 07/12 às 11:00 da manhã teremos um tambor de princesas, onde todas as yabas serão homenageadas.Desde já vc é nosso convidado, venha almoçar conosco ao término do tambor. Toy Vodunnon Aluizio Brasil.
Boa noite Fabio eu moro no Rio das Ostras RJ sou filho de santo do pai Euclides de sao luiz do maranhao e neto de manoel de nascimento de recife ( papai ) pesquisando musicas do tambor de mina chequei no seu blog como vc mora no Pará vc conhece esse CD A Música e o Pará V. 8 – Ponto de Santo O CD foi lançado pela Secult/PA, Secretaria de Cultura do Estado do Pará,e a pesquisa é da antropóloga Anaíza se vc conhece esse cd coloca ele ai ok obrigado Carlos
Oi Carlos. Eu conheço esse disco, mas infelizmente não tenho ele. Dei uma busca na internet, mas não achei também, nem pra comprar nem pra baixar. 🙁 Um abraço.
Boa noite Fabio obrigado to dando uma olhada no seu trabalho manero gostei se vc comhecer alquem que tenha me de um alo ok [email protected] obrigadao mesmo
ESSA CASA FOI MAIOR COISAS QUE ACONTECEU PARA NOSSO ESTADO EM RELAÇÃO DE RELIGIÃO TERMO SOBRE TAMBOR DE MINA TRAZENDO ORIGEM E FUNDAMENTOS NESSE CASO PAI MESTRE GRANDIOSO E VITORIOSO E OBRIGADO PELO SENHOR TER NOS DADOS ESSA GRANDE CASA AXÉ
Fantástico! Por um instante fechei os olhos e foi como se eu estivesse no Terreiro de Mina do bairro da Fé em Deus aqui em São Luís do Maranhão. Pretendo um dia visitar o Pará e conhecer o Tambor de Mina de nossos irmãos em axé de perto. No momento estou “pleiteando” uma vaga em mestrado, e nas minhas linhas de pesquisa estão as músicas (doutrinas e pontos) do Tambor de Mina e da Umbanda. Parabéns mais uma vez, tenho um arquivo de centenas de doutrinas e pontos, mas desta forma ainda não tinha visto ou ouvido (me refiro do Pará), pois tudo o que eu tenho do Pará está relacionado à Encantaria dos Filhos do Rei Turquia, e alguns estão com defeito na produção de áudio ou não são ao vivo…parabéns mais uma vez. Jean Charles…de São Luís do Maranhão…[email protected]
Continuando a publicação dos discos da coleção “Bois de Ourém”, que iniciou na postagem anterior, aqui estão reproduzidas as informações do encarte do disco Bois de Ourém Vol. 2.
Pai-do Campo
Comandado por Faustino Almeida de Oliveira, o boi tem 18 anos de atividades no município de Ourém, quando a família de Mestre Faustino e Dona Miloca (proprietária do boi) se mudaram para o local. Antes disso, o grupo já brincava no Pacuí Claro, localidade do município de Capitão Poço, de onde são originários. Mestre Faustino começou a brincar boi com 10 anos de idade, junto com tios e irmãos, que todo ano montavam o brinquedo. O grupo, que nesses dezoito anos já se chamou “Flor-do-Campo” e “Dominador”, possui 40 integrantes.
Geringonça
O caçula dos bois de Ourém foi montado em 2005, a pedido do vereador Junhão, que chamou o amo Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”, para reestruturar o antigo boi “Geringonça”, de Bené Careca, já falecido. Mestre Tuíte já comandou boi na região de Santarém, local de onde veio, e brinca em parceira com o Pai-do-Campo.
Músicos participantes
Tambores: Faustino Almeida de Oliveira, Sales Machado e Artur “Sukita” Onça, pandeiro, maracá, triângulo: Kayse Ribeiro de Oliveira Tamanco: Sales Machado Coro (Pai-do-Campo): Paulina Ribeiro de Oliveira, Salles Machado e André Coro (Geringonça): Maria Pedro da Silva “Louza”, Raimunda “Piticó” e Dioclécia Faustino Almeida de Oliveira: Voz (Pai do campo) Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”: Voz (Geringonça) Produção, gravação e textos: Fábio Cavalcante”
Mestre Faustino na matança do Pai-do-campo.Mestre Tuíte no centro do terreiro.Chapéus.Tuíte, Faustino e Sales na matança dos bois Pai-do-Campo e Geringonça
Ouça as músicas do disco Bois de Ourém Vol. 2 a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip).
Me emocionei muito. Cresci vendo essa cultura lá na comunidade do São José -Ourém. Hoje moro em São Saulo, mais nunca esqueci de minhas raizes.
um Privilégio encontrar esse material tão rico.
Valeu, Antônio! Os Bois de Ourém são marcantes demais mesmo. Já os conheci nos anos 2000, mas, desde então, nunca mais os esqueci. Sempre relembro deles.
A coleção Bois de Ourém foi lançada em julho de 2006, em Belém, durante o tradicional Arrastão do Pavulagem. Na época eu apresentava aos sábados o programa “Sala de reboco”, na rádio Tembés, de Ourém, onde os amos dos bois haviam participado diversas vezes, e gravado algumas centenas de músicas. Empolgado com a beleza daquelas toadas, que são criadas aos montes por lá, fiz uma seleção de seis músicas de cada um dos quatro grupos do lugar, para produzir os dois discos. O “Bois de Ourém Vol. 1” é com os bois “Flor-do-Campo” (de Mestre Julião – da comunidade do Mocambo) e “Ouro Fino” (de Mestre Cardoso). O Volume 2 traz os bois “Pai-do-Campo” (Mestre Faustino) e “Geringonça” (Mestre Tuíte).
Julião em Belém.Cardoso gravando.
O encarte do disco “Bois de Ourém Vol.1” vinha com uma breve história dos bois, dos amos, e a ficha técnica que reproduzo abaixo:
Flor-do-Campo
O mais antigo boi de Ourém em atividade é o do Mocambo – localidade quilombola próxima à sede do município. O fundador da brincadeira foi Sebastião dos Santos “Bofiá”, falecido em 1961. Em 64, Julião dos Santos, filho do Bofiá, assumiu o brinquedo e até hoje mantém a tradição. O boi foi vencedor de diversos concursos de Boi-Bumbá realizados na região. O grupo comandado por Julião teve várias denominações, como “Ás de ouro”, “Flor da mocidade”, “Flor da fazenda”, “Mimo dourado” e “Mimo do gado”. O nome “Flor-do-Campo” está registrado há quatro anos.
Ouro Fino
O Ouro Fino surgiu em Ourém, no bairro do Porão, no ano de 1993, junto com a chegada à cidade de seu comandante José Ribamar Cardoso. Nascido na Parnaíba, Piauí, Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez, ainda na sua terra natal, aos 14 anos, com o “Dominante”. São quase seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005, Mestre Cardoso gravou seu primeiro disco – “Galo de campina”.
Músicos do Flor-do-Campo
Tambores: Luís Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira, Zé Francisco, João Batista “Bulica” e Simião. Pandeiro e voz: Julião dos Santos. Maracás: Zé Francisco, José Walter dos Santos “Waltinho” e Luís Carlos Rodrigues “Rato” Triângulo: Fabinho Onça: Walter dos Santos “Waltinho” Coro: Zé Francisco, Luìs Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira e João Batista “Bulica”.
Músicos do Ouro Fino
Elielson “Dodô” Medeiros Conceição: Atabaque, Pandeiro, triângulo e Coro. Elailson “”tarugo” Medeiros Conceição: Tambor e Coro. Evanilson “Bran” Medeiros Conceição: Tambor e Coro. Edenilce “Ina” Medeiros Conceição: Coro. Elza Nira Medeiros Conceição: Coro. José Cardoso: Voz e onça.
Produção, gravação e texto: Fábio Cavalcante.
Você ouve as músicas do disco “Bois de Ourém Vol. 1” no tocador abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip). E para baixar as letras das toadas, aqui.
Toadas de Mestre Cardoso (amo do boi Ouro Fino, de Ourém) e Mestre Faustino (do boi Pai-do-Campo) estão no repertório do cordão do Peixe-Boi deste ano. Ambos falam da natureza. A “Preservação da natureza”, do Pai do Campo, já vem sendo cantada pelo batalhão do Pavulagem desde junho do ano passado. E “Cadê a floresta?” foi feita por Cardoso especialmente pro arrastão do próximo domingo.
Cadê a floresta? (Mestre Cardoso)
Mamãe, cadê a floresta? Nossas vertentes, beleza Os peixes da piracema Não tem mais essa riqueza
Meu filho, o rio Guamá Criou pai, filho e bisnetos Agora só tem o resto Do verde da Natureza
Mamãe, cadê a floresta? O que é que o pássaro come Meu filho, é assim mesmo Do passado fico o nome
Meu filho, o rio Guamá Desmataram as cabeceiras Não tem mais as cachoeiras E quem faz isso é o homem
Este vídeo foi feito durante a apresentação de Cardoso e Faustino na I FEMAE (Feira de Música e Arte Estudantil), promovido pelo Colégio Pe. Ângelo Moretti, dia 29/12/2007, em Ourém. Os mestres são acompanhados por: Allan Carvalho (violão), Edgar Júnior (percussão), Fábio Cavalcante (flauta), Nazareno Silva (percussão) e Rubens Stanislaw (contrabaixo). O ensaio com Cardoso que aparece no começo foi feito no sítio de Arlindo Matos.
Aproveitando o tema das toadas lançadas pelos mestres, aqui estão imagens de trechos do rio Guamá onde fazendeiros mandaram derrubar toda a mata ciliar.
Desmatamento nas margens do Guamá.Retirada das matas ciliares em Ourém.Assoreamento no Guamá.
E repare nas imagens a seguir:
Trecho do rio com uma margem preservada e outra destruída;
Assoreamento – as margens, sem as árvores para servir de apoio, vão caindo no rio e formando ilhas, secando e tornando a navegação impraticável;
Assoreamento em frente à cidade de Ourém – a linha preta traçada na foto marca o local onde ficava a margem original. Hoje, no período seco, é possível, na frente da cidade, atravessar o Guamá à pé!
Margens diferentes.Rio secando.Assoreamento em frente à Ourém.
Estudos feitos no município apontam que 47% da mata ciliar do rio já foi perdida, reduzindo em até 37% as espécies de peixes nas áreas mais agredidas. A situação continua, lamentavelmente, crescendo sem nenhum controle.
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3 respostas a “Mestres de Ourém e as toadas da natureza”
Lila Bemerguy
Que pena!! O mais triste é ter a certeza que a situação só vai piorar…
Obrigado, Mariana! Tenho esse lundu aqui também. Gravei ele em 99 e é exageradamente eletrônico. O tema é de um instrumental tradicional no Pará. Abraços!
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